Creality Falcon A1 Pro: minha primeira experiência criando um relógio em madeira
Minha primeira experiência prática com a Creality Falcon A1 Pro foi a criação de um relógio em madeira dedicado a São Pedro e São Paulo. Da preparação da imagem aos primeiros testes de gravação e corte, apresento os ajustes realizados, o resultado obtido e o que aprendi durante o processo — um projeto que foi tomando forma entre testes, escolhas e pequenos ajustes.
A chegada de uma nova ferramenta ao laboratório sempre traz possibilidades, mas também perguntas. Como ela se comporta na prática? Que ajustes serão necessários? O resultado corresponde ao que imaginamos quando o projeto ainda estava apenas na tela?
Para minha primeira experiência com a Creality Falcon A1 Pro, decidi não começar apenas com pequenos testes isolados. Queria desenvolver um projeto completo, que me permitisse experimentar diferentes etapas do trabalho com laser: preparar uma imagem, realizar a gravação, cortar a madeira, avaliar o resultado e depois fazer o acabamento.
O projeto escolhido foi um relógio de São Pedro e São Paulo.
Mais do que produzir uma peça decorativa, essa primeira experiência acabou se tornando uma oportunidade para conhecer melhor a máquina e perceber algo que certamente acompanhará outros projetos do DiyDonTech: entre aquilo que vemos na tela e o resultado final existe sempre um percurso feito de testes, ajustes e aprendizado.
Por que escolhi este projeto
Para conhecer uma máquina nova, poderia simplesmente ter gravado algumas formas e feito pequenos cortes de teste. Esses testes são importantes, mas queria também perceber como a Falcon se comportaria diante de um projeto real.
O relógio reunia vários elementos interessantes em uma única peça: imagem, gravação, números, símbolos, corte circular e, posteriormente, a instalação de um mecanismo funcional.
Além disso, escolhi trabalhar com São Pedro e São Paulo, duas figuras muito significativas da tradição cristã. A intenção era que os elementos presentes no desenho não fossem apenas decorativos, mas permitissem reconhecer os dois apóstolos por meio de seus símbolos característicos.
Preparando o desenho do relógio
Antes de ligar o laser, boa parte do trabalho aconteceu no computador.
A composição precisava funcionar dentro de um formato circular e, ao mesmo tempo, deixar espaço suficiente para os números e para o mecanismo central do relógio.
Durante essa preparação, alguns detalhes precisaram ser revistos. Entre eles estavam os símbolos associados aos dois apóstolos: a chave de São Pedro e a espada de São Paulo.
Esse processo mostrou algo que às vezes passa despercebido quando vemos apenas a peça terminada: a qualidade de um trabalho a laser começa muito antes da gravação.
Uma imagem visualmente bonita nem sempre está imediatamente pronta para ser gravada. É preciso pensar em contraste, espessura das linhas, distribuição dos elementos e na forma como o laser interpretará aquilo que vemos na tela.
A qualidade de um trabalho a laser começa muito antes da gravação.
Da imagem ao arquivo para o laser
Com a composição definida, foi necessário preparar o arquivo pensando especificamente na gravação e no corte.
Aqui comecei a perceber uma diferença importante entre criar uma imagem e preparar uma imagem para uma máquina laser.
Determinadas áreas que parecem adequadas na tela podem ficar claras demais na madeira; outras podem receber energia excessiva e escurecer mais do que desejamos.
Por isso, o arquivo não deve ser pensado apenas como uma ilustração. Ele precisa ser preparado considerando o comportamento do material e o tipo de operação que será realizada.
Nesse projeto, trabalhei com basswood de 3 mm e organizei o arquivo em três operações diferentes: gravação das linhas, gravação da imagem e corte do contorno. Essa separação permitiu definir parâmetros específicos para cada parte do trabalho, em vez de tratar toda a composição da mesma maneira.

Arquivo do relógio de São Pedro e São Paulo preparado para a Falcon A1 Pro, com as operações de gravação e corte configuradas separadamente.
Criar uma imagem e preparar uma imagem para uma máquina laser não são exatamente a mesma coisa.
Os primeiros testes com a Falcon A1 Pro
Com o arquivo preparado, chegou finalmente o momento de utilizar a Creality Falcon A1 Pro.
E aqui estava uma das partes mais interessantes dessa experiência: eu ainda estava conhecendo a máquina.
Em vez de partir da ideia de encontrar imediatamente uma configuração “perfeita”, comecei observando como a Falcon reagia ao material e ao desenho.
Concluído o processo de gravação e corte, retirei o material excedente ainda com a peça posicionada na área de trabalho. Nesse momento já era possível observar com mais clareza o resultado da gravação e perceber quais pontos poderiam ser melhorados nos testes seguintes.
Era exatamente o tipo de informação que eu precisava obter.
O primeiro teste não serviu apenas para produzir uma peça. Serviu para começar a compreender a relação entre potência, velocidade, profundidade da gravação e resposta da madeira.
O primeiro teste não serve apenas para produzir uma peça. Ele começa a nos ensinar como a máquina responde ao material.
Ajustando a gravação
Depois do primeiro resultado, surgiu uma questão concreta: eu queria uma gravação um pouco mais marcada e profunda, mas sem transformar essas áreas em corte.
Foi necessário então ajustar os parâmetros.
Esse é um ponto importante para quem começa a trabalhar com laser: aumentar simplesmente a potência nem sempre é a única — ou a melhor — resposta.
Potência, velocidade e número de passagens trabalham em conjunto. Além disso, cada madeira reage de maneira diferente.
O objetivo passou a ser encontrar um equilíbrio: obter uma gravação suficientemente definida para destacar a imagem e os detalhes, preservando ao mesmo tempo a superfície da peça.
Foi também nessa etapa que começaram a aparecer diferenças de tonalidade e algumas áreas mais sombreadas, que depois precisariam ser consideradas no acabamento.
Corte e resultado na madeira
Depois dos ajustes, a peça finalmente saiu da máquina.
E esse é sempre um momento interessante em qualquer projeto maker: aquilo que durante algum tempo existia apenas como arquivo digital passa a existir fisicamente.
O formato circular ficou definido, os números permaneceram legíveis e os elementos de São Pedro e São Paulo puderam ser reconhecidos na composição.
Mas retirar a peça da máquina não significava que o projeto estivesse terminado.
Na verdade, começava outra etapa: o acabamento.

Detalhe do primeiro resultado após a gravação, permitindo observar o contraste e as diferentes tonalidades produzidas no basswood.
Acabamento da peça
A gravação a laser deixa resíduos e pode produzir áreas mais escuras ao redor de determinados elementos. Por isso, comecei a avaliar como limpar a peça sem apagar os detalhes que haviam sido gravados.
Uma possibilidade é utilizar uma lixa muito fina, com movimentos leves, principalmente na superfície que não faz parte da gravação.
Aqui é preciso cuidado: lixar excessivamente pode diminuir o contraste ou até eliminar detalhes mais delicados.
Depois da limpeza, também considerei a aplicação de um verniz transparente para madeira, não apenas para melhorar visualmente a peça, mas para protegê-la.
Essa etapa ainda reforçou uma ideia importante: o trabalho com laser não termina necessariamente quando a máquina para.
O pós-processamento também faz parte do projeto.
Instalação do mecanismo do relógio
A última etapa foi transformar a peça gravada em um objeto funcional. Depois de concluído o trabalho com a madeira, instalei o mecanismo no centro do relógio e coloquei os ponteiros.
É uma etapa aparentemente simples, mas que precisa ser considerada desde a preparação do projeto: a posição do furo central, a espessura da madeira, o comprimento do eixo do mecanismo e o espaço necessário para o movimento dos ponteiros precisam funcionar em conjunto.
Com a instalação do mecanismo, o projeto estava finalmente concluído. Aquilo que começou como um desenho preparado no computador havia passado pela gravação, pelo corte, pelos ajustes e pelo acabamento até se tornar um relógio funcional.A última etapa transforma a peça gravada em um objeto funcional.
No centro do relógio é instalado o mecanismo, seguido pelos ponteiros. É uma parte aparentemente simples, mas precisa ser considerada desde o início do projeto: o diâmetro do eixo, a espessura da madeira e o espaço disponível para os ponteiros interferem no resultado.
Assim, aquilo que começou como uma experiência de gravação e corte termina como um objeto que reúne design digital, fabricação e montagem.
O que aprendi com esta primeira experiência
Esta primeira experiência com a Falcon A1 Pro não me ensinou apenas onde clicar ou quais números colocar nas configurações.
Ela mostrou, sobretudo, que trabalhar com laser é um processo de observação.
O arquivo importa. O material importa. A potência importa. A velocidade importa. Mas também importa olhar para o resultado e perguntar: o que esta peça está me dizendo sobre a configuração que utilizei?
Algumas áreas ficaram mais claras. Outras mais marcadas. Foi necessário pensar em profundidade, contraste, acabamento e até na maneira como a madeira reagiria depois da gravação.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das partes mais interessantes do fazer maker.
Não se trata simplesmente de apertar um botão e esperar que a máquina produza aquilo que imaginamos. Trata-se de fazer, observar, testar, ajustar e aprender.
É esse processo que pretendo continuar compartilhando no Laboratório DiyDonTech.
Configurações utilizadas
Os parâmetros abaixo correspondem às configurações utilizadas nesta primeira experiência com a Creality Falcon A1 Pro 20W, trabalhando com basswood de 3 mm.
Este projeto faz parte do Laboratório DiyDonTech, espaço em que compartilho experiências reais com ferramentas, materiais e processos de fabricação digital.
Fazer. Testar. Resolver. Compartilhar.


